Tabata Amaral: Na raiz desse medo há uma palavra que a gente demorou tempo demais para dizer em voz alta: misoginia, o ódio contra a mulher pelo simples fato de ser mulher.
Tabata Amaral: E ele não começa na violência. Começa muito antes e começa de um jeito organizado.
Hoje existe uma verdadeira indústria do ódio, que opera nas redes, que captura meninos muito jovens e os ensina, dia após dia, a enxergar a mulher como inimiga, como objeto, como culpada.
Tabata Amaral: E o que nasce numa tela não morre nela, vira humilhação, vira perseguição, vira ameaça, vira assassinato, até chegar a esse limite tão brutal que a gente está vendo: mulheres que saem de casa e nunca mais voltam.
Tabata Amaral: Chamar isso pelo nome de misoginia, que é o ódio às mulheres, é um ato fundamental de proteção que uma sociedade deve oferecer a todas nós, começando pelas pequenas: admitir que essa coisa tem contorno, é concreta, tem uma motivação e deve ser punida, deve ser enfrentada.
